A operação da Anatel que interditou a Rádio Veneza FM 102,3, nesta sexta-feira (5), trouxe à tona um velho roteiro que Caxias já conhece bem: irregularidades, reincidência e desrespeito à legislação, práticas que, segundo moradores e diversos relatos ao longo dos anos, têm marcado negócios ligados à família do ex-prefeito Paulo Marinho.
Desta vez, a Anatel constatou que a Veneza FM operava sem qualquer autorização legal. Os agentes ainda identificaram que o CNPJ associado à emissora nem sequer existe nos registros oficiais. Diante das falhas graves, os transmissores foram lacrados e a rádio saiu do ar imediatamente.
Desobediência que vira rotina
A ação não surpreendeu quem acompanha a atuação do grupo. O prédio da emissora já havia sido fiscalizado antes e recebeu ordens formais para interromper a transmissão.
Mesmo assim, a rádio teria sido religada de forma clandestina, desafiando novamente a lei, um comportamento que, segundo a própria Anatel, configura reincidência em operação ilegal.
Um histórico de conflitos com órgãos fiscalizadores
A interdição da Veneza FM não é um caso isolado. Empresas relacionadas à família Marinho já se envolveram em outros embates com fiscalizações.
Em um episódio anterior, a CEMAR registrou prejuízo superior a R$ 1 milhão envolvendo uma empresa ligada ao grupo, o que resultou no corte do fornecimento de energia. Mesmo assim, as atividades teriam seguido por meio de geradores, numa demonstração clara de que as regras raramente são prioridade.
Caxias paga o preço
A sequência de acontecimentos reforça a percepção de muitos moradores:
empreendimentos ligados à família Marinho frequentemente operam à margem da legalidade, desafiando órgãos de controle e ignorando determinações oficiais.
Enquanto isso, a população observa mais um capítulo em que interesses privados avançam sobre o que deveria ser regido pela lei e pela responsabilidade pública.
Consequências ainda podem aumentar
Agora, a Veneza FM só poderá voltar a funcionar se regularizar sua situação, algo que nunca foi feito, apesar das determinações anteriores. Caso siga descumprindo a lei, novas sanções podem ser aplicadas.
A Anatel lembra que transmissões irregulares colocam em risco serviços essenciais, podendo inclusive interferir em comunicações de emergência.
Ou seja: o problema vai muito além de uma simples emissora, trata-se da repetição de um modelo de atuação que já custou caro à cidade.