Medidas fazem parte de plano de reestruturação apresentado no pedido de recuperação judicial para reduzir custos e enfrentar a crise financeira.
O Grupo Casas Bahia deu um passo drástico em seu plano de reorganização operacional e financeira neste mês de agosto de 2026. Em um movimento que impactou fortemente o setor varejista nacional, a companhia formalizou o encerramento das atividades de 298 lojas físicas e o desligamento de cerca de 3.000 colaboradores em todo o país — o equivalente a aproximadamente 10% de sua força de trabalho total.

A medida antecedeu o pedido de recuperação judicial protocolado pela empresa perante a Justiça de São Paulo na noite do último domingo (16 de agosto).
Resumo dos Principais Fatos
Corte de Pessoal: Cerca de 3.000 funcionários demitidos ao longo de agosto (10% do total de colaboradores).
Fechamento de Lojas: Encerramento de 298 pontos de venda, reduzindo em 28,7% a rede física de lojas do grupo.
Recuperação Judicial: Pedido protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de SP com um passivo declarado de R$ 17,3 bilhões.
Balanço Financeiro: Prejuízo líquido registrado de R$ 10,1 bilhões no 2º trimestre de 2026 (impactado por R$ 9,1 bilhões em ajustes contábeis não recorrentes).
Foco Estratégico: Priorização do canal digital e otimização das operações físicas remanescentes.
Reestruturação Severa e Otimização Física
A intensidade do enxugamento surpreendeu o mercado. Diferente de períodos anteriores, em que o fechamento de lojas ocorria de forma mais gradual e pulverizada, a varejista concentrou centenas de encerramentos em poucos dias de agosto.
Entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), quase 300 unidades amanheceram de portas fechadas em shoppings e centros comerciais de grandes capitais do país, como São Paulo, Brasília, Salvador e Fortaleza. O ajuste atingiu unidades da marca Casas Bahia e da rede Ponto (antigo Ponto Frio).
Com esse movimento, o grupo reduz em quase 30% sua estrutura física comercial, com o objetivo imediato de diminuir despesas fixas com aluguéis, logística, manutenção de estoques locais e folha de pagamento.
Balanço do 2º Trimestre e Passivo Bilionário
As ações do plano de reestruturação ocorreram simultaneamente à divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 (2T26), após dois adiamentos. O grupo reportou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no trimestre.
Segundo a companhia, o resultado foi fortemente impactado por baixas contábeis extraordinárias (efeitos não recorrentes/impairment de ativos) no montante de R$ 9,1 bilhões. Sem considerar esses efeitos, o prejuízo líquido ajustado situou-se em R$ 978 milhões.
O Pedido de Recuperação Judicial
Atingido por despesas financeiras decorrentes da taxa de juros elevada (Selic) e pela perda de poder de compra do consumidor em bens duráveis, o Grupo Casas Bahia recorreu ao pedido de Recuperação Judicial no Foro Central Cível de São Paulo. O processo engloba dez empresas do grupo, incluindo as operações das marcas Casas Bahia, Ponto, Extra.com, Bartira (fábrica de móveis) e unidades de logística e tecnologia.
O passivo de R$ 17,3 bilhões detalhado na petição inicial está dividido em:
Credores Quirografários (sem garantia): R$ 16,4 bilhões;
Dívidas Trabalhistas: R$ 754 milhões;
Microempresas e EPPs: R$ 154 milhões.
Em 2024, a varejista havia passado por uma recuperação extrajudicial de R$ 4 bilhões, mas as elevadas despesas operacionais e financeiras continuaram pressionando os resultados nos trimestres subsequentes.
Foco Estratégico no E-commerce
Em contrapartida ao recuo das operações físicas, o desempenho do canal digital próprio (1P) avançou 26% no período, impulsionado por parcerias e expansão da plataforma online.
O plano da gestão é concentrar forças nas operações físicas remanescentes mais rentáveis, ao mesmo tempo em que fortalece os canais digitais e o marketplace. Com a recuperação judicial, a empresa busca obter a suspensão temporária das cobranças e execuções de dívidas por 180 dias para organizar o caixa e negociar um plano de pagamentos sustentável com seus credores.