Você sabia que Caxias protagonizou, em 1943, uma disputa nacional para preservar sua identidade? O embate envolveu cidades do Maranhão, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul que compartilhavam o mesmo nome: Caxias.
Naquele período, o Brasil passava por um processo de organização e padronização administrativa. O Conselho Nacional de Geografia defendia que não deveria haver cidades com a mesma denominação, a fim de evitar confusões em registros oficiais, mapas e documentos estatísticos. A proposta era que apenas uma mantivesse o nome simples “Caxias”, enquanto as demais adotariam complementos.
A cidade fluminense passou a se chamar Duque de Caxias, utilizando o título completo do militar. Já a cidade gaúcha consolidou o nome Caxias do Sul. Para o município maranhense, surgiram sugestões como “Marechal Caxias” ou “Caxias do Norte”.
A reação no Maranhão foi firme. A Comissão Regional de Geografia do estado, presidida pelo Dr. José Eduardo de Abranches Moura, defendeu a permanência do nome com base em argumentos históricos. A cidade já utilizava a denominação Caxias desde 1836, muito antes de outras formalizações ligadas ao título de Duque.
O então prefeito, Dr. Otávio Passos, também se posicionou de maneira contundente. O professor Nereu Bittencourt contribuiu com um estudo histórico robusto, destacando que o nome da cidade não era apenas uma homenagem, mas parte de sua própria trajetória histórica. Lembrou ainda a ligação do militar Luís Alves de Lima e Silva com o Maranhão, especialmente pelos acontecimentos relacionados à Balaiada, cuja fase final ocorreu na região.
Após intensas trocas de comunicações e posicionamentos entre os estados, a definição foi estabelecida. A cidade do Rio de Janeiro adotou oficialmente o nome Duque de Caxias, a cidade do Rio Grande do Sul firmou-se como Caxias do Sul e a cidade maranhense manteve simplesmente Caxias.
A decisão representou uma vitória simbólica para o Maranhão. O nome foi preservado, garantindo a continuidade de uma identidade construída ao longo de décadas. O episódio ficou marcado como um momento em que a defesa da história e da tradição falou mais alto em uma disputa que envolvia não apenas burocracia, mas também sentimento e pertencimento.