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15/08/2026
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Estudante de Direito que ensinava como evitar golpes é presa em operação contra fraude eletrônica

Atualizado 15/08/2026 12:48
Fonte: REDAÇÃO NOTÍCIA DO ESTADO
Brasil

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) resultou na prisão preventiva de uma estudante de Direito de 22 anos que ficou conhecida nas redes sociais por publicar conteúdos sobre prevenção a golpes virtuais e orientações para desbloqueio de contas bancárias suspeitas de fraude. A jovem, identificada como Micaelli Araújo, é investigada por supostamente integrar um esquema de estelionato eletrônico ao lado do namorado, Rafael dos Santos Damasceno.

A ação, denominada Operação Reflexo, foi coordenada pela 8ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal e contou com apoio da Polícia Civil de São Paulo. Além das prisões, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio de até R$ 20 mil em ativos financeiros ligados aos investigados.

Loja falsa e celulares que nunca chegavam

Segundo as investigações, o casal teria criado perfis falsos na internet utilizando a identidade visual de uma loja legítima especializada na venda de celulares. Por meio dessas páginas, anunciavam aparelhos com preços atrativos e conduziam negociações que transmitiam confiança aos consumidores. Após o pagamento, porém, os produtos nunca eram entregues.

Para tornar o golpe mais convincente, os suspeitos montaram uma espécie de “loja cenográfica” dentro de uma residência em São Paulo. O local era equipado com caixas de smartphones, embalagens, etiquetas e materiais de envio, utilizados para gravar vídeos e produzir fotos que eram encaminhadas às vítimas como prova da suposta existência do estoque.

Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam equipamentos eletrônicos e diversos materiais utilizados para compor o cenário falso. Os itens serão analisados pela perícia para aprofundar as investigações.

Contradição chamou atenção dos investigadores

Um dos aspectos que mais chamou a atenção da polícia foi a atuação pública da estudante. Nas redes sociais, Micaelli compartilhava vídeos e orientações jurídicas, abordando temas relacionados a golpes virtuais, fraudes bancárias e bloqueios de contas. A investigação apontou que, ao mesmo tempo em que orientava seguidores sobre como evitar prejuízos financeiros, ela seria uma das responsáveis pelo esquema investigado.

De acordo com a PCDF, as movimentações financeiras identificadas durante as apurações e a circulação de recursos entre pessoas ligadas ao grupo reforçaram as suspeitas contra os investigados.

Histórico do companheiro e possível alcance nacional

As autoridades informaram que Rafael dos Santos Damasceno já responde a um processo relacionado a estelionato virtual no Rio Grande do Sul. A polícia também identificou registros de vítimas no Distrito Federal e indícios de ocorrências semelhantes em outros estados, o que sugere que o esquema pode ter alcançado um número maior de pessoas do que o inicialmente conhecido.

A investigação continua e os dispositivos eletrônicos apreendidos serão submetidos a análises técnicas para identificar novas vítimas, possíveis comparsas e a extensão total dos prejuízos causados.

Crimes investigados

O casal deverá responder, em tese, pelo crime de estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal. A pena pode variar de quatro a oito anos de prisão, além de multa, para cada crime reconhecido pela Justiça.

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