Segundo o Ministério do Interior egípcio, imagens mostravam as duas turistas realizando gestos e movimentos classificados como "exibição pornográfica"

Mariana Alves, de 22 anos, foi presa na terça-feira (20) no Egito acusada de “exibição pornográfica”. Conhecida nas redes sociais como Malévola ou Malévola Alves, é uma influenciadora digital brasileira e mulher trans que ganhou notoriedade com conteúdos de lifestyle, moda, rotina, viagens e humor ácido. Ela compartilha episódios do cotidiano, opiniões e formatos como “arrume-se comigo”, além de falar abertamente sobre sua transição de gênero. A criadora de conteúdo reúne cerca de 800 mil a 815 mil seguidores no Instagram e centenas de milhares no TikTok.
Natural de São Bernardo do Campo (SP), ela costuma se envolver em discussões públicas com outras personalidades da internet. Nos últimos anos, destacou-se na imprensa por polêmicas e episódios de repercussão. Em agosto de 2026, foi presa em flagrante em São Paulo por desacato e lesão corporal após uma confusão em um camarote de uma festa; foi liberada após o pagamento de fiança, conforme registro da Secretaria de Segurança Pública do estado. Ela também relatou experiências de transfobia, como um episódio ocorrido em 2025 durante uma sessão do musical Wicked em São Paulo, e se envolveu em discussões com celebridades e influenciadores.
Prisão no Egito
Nesta terça-feira (20), Malévola foi detida em Alexandria, no Egito, junto com uma amiga brasileira, após a circulação de vídeos nas redes sociais. Segundo o Ministério do Interior egípcio, as imagens mostravam as duas turistas realizando gestos e movimentos classificados como “exibição pornográfica”, além de insinuações sexuais e assédio a pedestres em vias públicas de diferentes províncias do país.
Em comunicado oficial publicado no perfil do Ministério no X, as autoridades informaram que identificaram e detiveram as duas mulheres (uma delas criadora de conteúdo) em Alexandria. Ao serem confrontadas, elas teriam confessado os atos descritos e admitido ter gravado e publicado os vídeos em suas páginas com o objetivo de aumentar o número de visualizações. O caso foi encaminhado à Promotoria Pública egípcia.
Antes do comunicado, Malévola relatou nas redes que ela e a amiga foram paradas durante um passeio, tiveram os passaportes retidos e foram levadas a uma delegacia, onde as autoridades teriam feito perguntas sobre a identidade de gênero das duas. A defesa da influenciadora informou estar em contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com as autoridades competentes para garantir a integridade física e os direitos legais das brasileiras. O Itamaraty afirmou que a embaixada está à disposição para prestar assistência consular quando solicitada.
A detenção ocorre em um país criticado por organizações internacionais por repressão a mulheres e à comunidade LGBTQIA+, embora as autoridades locais fundamentem a ação nos vídeos e na conduta descrita em espaços públicos. Até o momento, não há informações oficiais sobre eventual deportação ou detalhes processuais além do encaminhamento à Promotoria. A situação continua em acompanhamento.