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21/10/2026
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Mulher é presa suspeita de aplicar golpes com passagens aéreas falsas feitas com IA no Maranhão

Atualizado 21/10/2026 13:32
Fonte: REDAÇÃO NOTÍCIA DO ESTADO
Maranhão

Uma mulher de 41 anos foi presa preventivamente pela Polícia Civil do Maranhão, em São Luís, suspeita de aplicar golpes com a venda de passagens aéreas falsas produzidas com auxílio de inteligência artificial (IA). Segundo as investigações, ela cobrava entre R$ 8 mil e R$ 10 mil por pacotes que prometiam viagens pelo Brasil e para o exterior durante um ano.

Inicialmente, a investigação identificou 11 vítimas. No decorrer das apurações, porém, outras pessoas relataram possíveis prejuízos. De acordo com informações que embasaram a decisão judicial, a suspeita teria feito pelo menos 30 vítimas desde 2024.

Como funcionava o golpe

Segundo a Polícia Civil, a mulher oferecia um suposto benefício que permitia aos clientes viajar durante um ano, pagando apenas as taxas de embarque. A promessa era de que, após o pagamento de um valor fixo, os clientes poderiam emitir cerca de 10 passagens ao longo de 12 meses. No entanto, mesmo depois de receber o dinheiro, as passagens não eram emitidas.

O delegado Victor Machado informou que a investigada já havia trabalhado em uma companhia aérea e usava essa experiência profissional para conquistar a confiança dos clientes. Entre as pessoas que teriam sido enganadas estavam conhecidos da suspeita e frequentadores da mesma igreja que ela.

“Por saberem que ela trabalhava numa companhia aérea, as pessoas acreditavam no benefício oferecido, que seria um pacote de viagens. A pessoa precisava pagar um valor fixo, em média R$ 10 mil, e teria direito a emitir cerca de 10 passagens por ano”, explicou o delegado.

Ainda conforme a polícia, algumas vítimas chegaram a ir ao aeroporto para viajar, mas não conseguiram embarcar. Entre elas estavam idosos, crianças e mulheres grávidas. Além do prejuízo financeiro, os passageiros enfrentaram transtornos e desgaste emocional.

Para justificar a falta de embarque, a investigada alegava problemas de overbooking — quando uma companhia aérea vende mais passagens do que o número de assentos disponíveis — ou falhas no sistema da empresa.

Pagamentos eram feitos em contas de terceiros

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou depósitos realizados em contas bancárias de terceiros. Essas pessoas também teriam sido enganadas pela suspeita, que pedia para receber os valores em suas contas sob o pretexto de precisar de um favor.

Segundo o delegado, a estratégia evitava que os pagamentos fossem feitos diretamente em nome da investigada. A polícia também identificou uma pessoa que pode ter participado do esquema como cúmplice, mas a possível participação dela ainda está sendo apurada.

Suspeita já havia sido condenada por estelionato

De acordo com informações do processo, a mulher já havia sido condenada por estelionato em 2012 e é suspeita de ter voltado a aplicar golpes em 2024.

Ao determinar a prisão preventiva, a Justiça considerou a medida necessária para impedir a continuidade dos possíveis crimes. Conforme a decisão, medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica, não seriam suficientes.

Após ser presa, a investigada foi encaminhada ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça. A defesa dela não foi localizada para comentar o caso.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam e orienta possíveis vítimas a procurar a Delegacia de Defraudações para registrar ocorrência e solicitar a apuração dos prejuízos.

A recomendação é desconfiar de ofertas de passagens e pacotes turísticos com condições muito diferentes das praticadas no mercado e confirmar diretamente com as companhias aéreas se os benefícios anunciados realmente existem antes de realizar qualquer pagamento.

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